segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A CAVERNA, O DESERTO, O VALE E A MONTANHA.

A vida é um grande mistério em todas as suas nuances, seja no momento em que nascemos, vivemos e morremos. Nessa tríade, ainda existem muitas perguntas sem respostas; a filosofia depois de séculos e séculos de estudo ainda pergunta: de onde viemos? O que somos? Para onde iremos? Felizmente esses questionamentos são respondidos categoricamente pela teologia que diz que viemos de Deus, somos seus filhos e um dia vamos para o céu. Entretanto, muitos fatores da vida permanecem uma incógnita e que a máxima de Agostinho, filosofo do século V, vem a esse encontro quando diz: “é precisos crer para compreender e não compreender para crer, no que tange as coisas de ordem espiritual”. A vida do cristão deve ser pautada, absolutamente pela fé, pois, as Escrituras afirma que “o justo viverá pela fé”.
Diante da esfera das crenças e de sua existência no mundo dos vivos, o ser humano perpassa por quatro estágios: a caverna, o deserto, o vale e a montanha. Esses quatro momentos constituem fases de extrema relevância na vida do homem, pois, são nesses momentos que impera em nós a neutralidade ou a atitude, implicando assim, em uma dicotomia que faz de nós aquilo que somos e o que podemos ser.
A caverna: Deus nos deu a capacidade de ir e vir, por conseguinte, existe um momento em nossas vidas que precisamos sair da caverna de nossa existência. É quando saímos da defensiva e partimos para uma ofensiva, sem medo do fracasso, das decepções das percas. Existem pessoas que passam toda a sua existência dentro de uma caverna, com medo de tudo e de todo; ficam no anonimato até a sua morte, não buscam conhecimento, novos horizontes e não deixam marcas, tornando-se mais um na imensa multidão daqueles que nasceram, somente para morrer.
O deserto: uma vez que saímos da caverna, entramos no deserto, este por sua vez implica em aprendizagem, que decorre de esforço continuo e não permiti retrocesso e nem desanimo. É no deserto que as mudanças são geradas e os paradigmas retrógrados são eliminados. A sede, a fome, o frio, o calor e solidão, nos fazem pessoas capazes de superar os mais difíceis desafios de nossa existência. As Escrituras Sagradas narra a história do povo de Israel quando foi liberto do Egito; para que eles chegassem à terra prometida não duraria um ano, mas pela falta de capacidade espiritual, emocional e bélica, Deus fez com que eles passassem 40 anos andando em círculos para que pudessem aprender no deserto a reverter as mais diversas crises oferecidas pela vida, pois, para chegar à terra prometida eles precisavam conhecer o seu Deus, ser obedientes e preparados para a guerra. O deserto nos aproxima mais de nossa própria humanidade, fazendo com que entendamos profundamente a nossa absoluta dependência de Deus.
O vale: uma vez passados pelo deserto, nos encontramos diante de um vale. Vale é lugar de profundas reflexões, é aqui que as profundas decisões de nossa existência são tomadas e os nossos propósitos se tornam mais claros, discernimos o bem do mal, a luz das trevas, o real do utópico, Deus do diabo, a vida da morte... No vale por algum tempo somos imperceptíveis, vivemos no anonimato. Após uma intensa viagem no deserto, Moisés passou 40 anos escondido em uma tribo, como um homem comum, que para muitos tinha nascido somente para cuidar de animais, entretanto, Deus chamou Moisés em tempo oportuno para libertar cerca de 6 milhões de pessoas da escravidão, que já durava 400 anos.
Chegar à montanha não é fácil, pois é preciso juntar a coragem da caverna, a experiência do deserto e senso de direção do vale, pois, ao se chegar à montanha é preciso subir. O reino de Deus é conquistado por esforço, disse o Mestre. A montanha é o clímax, é o resultado de nossa visão, fé, determinação e compreensão que o sé o que podemos chamar de sucesso, prosperidade, profunda qualidade de vida. É na montanha que nos transformamos simultaneamente em águia e pomba. Aquela nos ensina a experimentar altos vôos, esta a compreender profundamente o caminho da humildade e da simplicidade.

PCG